A razão

Logo após a introdução ao nosso blog, achei que ficava bem deixar aqui o porquê de o ter começado, ou melhor, a situação que o originou.

Uma rapariga.

“Claro, só podia”, pensam vocês, ao que eu respondo “há poucas raparigas que me fariam começar um blog”.

Conheço esta particular rapariga há uns bons anos (entenda-se mais de 8 e menos de 10), e desde sempre me tornei o seu melhor amigo e vice versa. Uma amizade bastante forte em que praticamente 100% das nossas vidas eram partilhadas mutuamente. Sempre que um de nós tinha um problema ou uma grande alegria ia a correr ter com o outro, procurar apoio ou simplesmente alguém com quem falar. A par dela somente o meu companheiro blogger, amigo de longa data (algures perto de 18 anos de amizade).

Ao longo dos anos a minha amizade com a dita rapariga tornou-se muito forte, em certas alturas mais difíceis da minha vida era uma das únicas pessoas em quem confiava. A par desse sentimento de amizade desenvolveu-se algo mais.

Durante muito tempo guardei esse sentimento para mim mesmo, causando-me remorsos por cada vez que estava com ela e não era sincero acerca do que sentia. Até que um dia finalmente lhe contei. A resposta foi a que mais temia, a típica resposta de a amizade ser forte demais e algo mais a poderia estragar. Calei-me e continuei o melhor amigo dela durante mais uns bons anos. Conheci e namorei outras pessoas, mas nenhuma me fazia sentir um milésimo do que a dita rapariga me fazia sentir. Até que há pouco tempo me aventurei novamente.

Aí começou uma nova fase, ela estava diferente, começámos a estar ainda mais juntos e finalmente aconteceu. Começámos a namorar. Aconteceu numa fase em que a minha vida estava mais ou menos encaminhada, com muitos problemas resolvidos (problemas que possivelmente serão discutidos neste blog mais para a frente). O único espaço vazio que faltava preencher tinha sido preenchido finalmente.

Era um namoro algo distante pois vida de universitários não permite muito mais, mas corria tudo muito bem. Até hoje.

Hoje encontrei-me com ela e ouvi uma coisa que deu logo para adivinhar o que aí vinha: “Precisamos de falar.” A tal conversa terminou com a mesma desculpa que ela me havia dado anos antes: “Apercebi-me que o que nós temos é uma grande amizade e mais nada, tentei mas não é isto que quero.” Fiquei destroçado, numa fracção de segundo desfez-se um sonho, um sonho no qual eu via um futuro risonho, mas aparentemente era o único que o via.

Não a condeno por nada, agradeço-lhe tudo o que me proporcionou, talvez me tenha dado os melhores tempos destes últimos anos da minha vida, apenas espero que os continue a dar como a amiga que sempre foi e pelos vistos será.

A única coisa que não compreendo é o porquê de ter arriscado, porque para acabar assim ela nunca deveria ter acreditado a 100% em nós como algo mais que amigos. Novamente digo que não a condeno, apenas não percebo.

Neste momento não sei o que hei-de pensar, o meu medo está em acordar amanhã. Será que acordarei de um longo sonho? Ou despertarei para o mesmo pesadelo que me tem perseguído ao longo dos anos? A única coisa que sei é que o vazio que ela cá deixou permanecerá guardado, nunca ninguém o preencherá tão bem como ela preencheu.

PS – Sou um rapaz de ciências e tecnologias, portanto frases mal construídas poderão ser o prato do dia, não se admirem se não estiverem perante um texto para um prémio Camões :P

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